As complicações em radiocirurgia estereotáxica são reações que ocorrem em um percentual pequeno dos pacientes, cuja incidência varia conforme o tipo de adversidade. Elas podem estar relacionadas a condições intrínsecas do paciente, co-morbidades (hipertensão arterial, diabetes mellitus, imunossupressão), localização e características da lesão, dose aplicada, esquema de tratamento entre outros aspectos. São geralmente divididas em relação ao período de surgimento porém nem sempre obedecem esta cronologia. A seguir discorreremos um pouco mais sobre elas.

Complicações precoces ou agudas são aquelas que acontecem desde o dia do tratamento até meses. Podem estar relacionadas ao procedimento em si, como hemorragia e infecção do sitio de instalação do arco, hematoma intracraniano causado pelos parafusos (ocorre em pacientes com história de uso crônico de corticóides, levando a fragilidade óssea), cefaléia ou náuseas, reação alérgica causada pelo contraste iodado utilizado na tomografia ou angiografia (nos casos em que for necessário) e mais raramente crises convulsivas. São complicações raras, sem necessidade de tratamento complexo ou por longo período.

As complicações que ocorrem de meses a anos após a radiocirurgia são ditas retardadas ou crônicas. São estes eventos que buscamos ativamente através do controle seriado de imagem. Nesta cronologia podem ocorrer alguns sintomas como alopecia localizada (que geralmente é transitória e se resolve sem necessidade de tratamento) e otites (quando existe uma proximidade desta região junto a área irradiada). A complicação mais frequentemente observada – entre 4 a 7% dos casos tratados com dose única – é a radionecrose, ou seja, lesão no cérebro ou nervo craniano causada pelo efeito da radiação. Ela pode ser desde transitória (sem sintomas importantes, nem necessidade de tratamento) até uma lesão permanente exigindo cirurgia para ressecção da área necrótica. Os sintomas estão relacionados a localização do evento. Podem ser do tipo deficitários (perda da força, fala ou visão), cefaléia, vômito ou até mesmo convulsão. O tratamento deve ser instituído o mais breve possível, com a utilização de corticoterapia, vitamina E, câmara hiperbárica, quimioterápicos e cirurgia em última instância.

Tardiamente, ou seja vários anos após o procedimento, uma complicação que pode ocorrer é o surgimento de novos tumores induzidos por radiação, que apesar de raros e altamente questionáveis (induzido pela radiação ou associado a um perfil genético, como observamos em alguns pacientes que não são irradiados?) devem ser detectados.

Apesar de ocorrer numa frequência baixa, e que tende a cair continuamente com o desenvolvimento de novas tecnologias e estudos, as complicações devem ser discutidas exaustivamente, para o esclarecimento de que a radiocirurgia, como todo tratamento médico, tem riscos que devem ser ponderados quando da indicação.

 

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