As cirurgias do cérebro desde sempre estão envoltas pelo mistério devido aos riscos, exercendo fascínio pelo fato de podermos adentrar o cérebro sem causar danos. A seguir listamos quinze pontos importantes a respeito das complicações em neurocirurgia

 

1 – As complicações neurológicas como fraquezas motoras, alterações da fala e visão ocorrem em 3 a 8% dos casos, a depender da localização da cirurgia. São causadas por lesão dos vasos cerebrais (artérias ou veias – 1 a 2 %) ou devido a um inchaço cerebral desencadeado pela manipulação do cérebro. Este inchaço inicia após algumas horas da cirurgia e pode durar até 3 dias

 

2- As isquemias cerebrais advindas de lesão de artérias trazem déficit imediato, obedecem uma região irrigada por uma artéria e apresentam recuperação lenta e parcial

 

3 – As isquemias cerebrais venosas ocasionam déficit leve a moderado, associado a inchaço e sangramento, com recuperação mais rápida que as isquemias arteriais

 

4 – Uma parte significativa dos déficits neurológicos observados após a cirurgia cerebral são transitórios e costumam regredir ou melhorar em até 6 meses

 

5 – O surgimento de convulsões – crises epilépticas – pode ocorrer de 1 a até quase 20% dos casos e também dependem da localização e da extensão da cirurgia. Quando necessário são utilizadas medicações para controle das crises

 

6 – Em algumas situações o fluxo do líquido intracerebral – o líquor – pode ser prejudicado, ocasionando assim o que chamamos de hidrocefalia, ou seja, o acúmulo do líquor em alguma espaço do cérebro. Esta complicação ocorre em 0,25 a 1,5% dos casos e, quando necessário, são tratadas com o desvio do líquido através de cateteres intracranianos

 

7 – Para adentrarmos o cérebro é necessária a abertura da camada que o reveste – a meninge. Ao finalizarmos os procedimentos, realizamos o fechamento desta camada porém em alguns casos, principalmente em cirurgias da porção inferior do crânio – a fossa posterior – pode ocorre um “vazamento” do líquido, o que chamamos de fístula liquórica. Ela ocorre em 3 a 15% dos pacientes e necessita de tratamento específico devido ao risco de meningite (infecção da meninge)

 

8 – Uma das mais temidas complicações em neurocirurgia são os hematomas, ou seja, coleção de sangue no local operado ou em locais distantes do cérebro. Ocorre em 1 a 4% dos casos, pode surgir logo após a cirurgia ou em alguns dias. Acontece mais frequentemente em casos de doenças da coagulação sanguínea.

 

9 – As infecções da pele ou do local operado estão presentes em 1 a 3% dos procedimentos neurocirúrgicos, sendo que a meningite (forma grave de infecção) pode acontecer em até 1% dos casos

10 – Um achado muito frequente nos exames de imagem realizados após uma neurocirurgia é o acúmulo de ar dentro do cérebro, o que chamamos de pneumoencefalo. Na maioria das vezes são inofensivos mas em algumas situações podem causar sintomas e ser necessária a sua retirada. A presença do pneumoencefalo contra-indica as viagens aéreas no pós-operatório de neurocirurgia devido ao risco de expansão.

 

11 – As complicações sistêmicas, ou seja, que acometem outras áreas do organismo também podem ocorrer, tais como a trombose venosa periférica e/ou embolia pulmonar (formação de um coágulo dentro do vaso com obstrução de uma veia ou uma porção do pulmão), pneumonias ou distúrbios dos sais do sangue

 

12 – Pacientes submetidos a cirurgia para retirada de tumor dentro do cérebro, no compartimento superior do crânio (supratentorial), tem risco de morte de 2,3% e complicação em até 15% dos casos

 

13 – Os pacientes submetidos a cirurgia no compartimento inferior do crânio (fossa posterior) podem apresentar dor de cabeça persistente por mais de um ano em até 25% dos casos

 

14 – As condições clínicas do paciente, ou seja, seu estado de saúde é fator preponderante para o risco de complicações. Os pacientes idosos, com estado neurológico comprometido, com doenças graves e com lesões em área de risco tem até 26% de chance de complicação

 

15 – O avanço no cuidado neurocirúrgico pré e transoperatório, a neuro-anestesiologia, os cuidados neuro-intensivos e o emprego de novas técnicas e tecnologias foram as principais causas da profunda queda no número de complicações e mortalidade em neurocirurgia nas últimas décadas.

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